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Artigos

20/11/2015
NEGRITUDE!

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra

 
 
Por Francisca Eugênia do Nascimento – Secretária de Formação do Sindicato dos Comerciários de Fortaleza.
 
Essa data é uma conquista do movimento negro, através do Grupo Palmares na década de 70 na cidade do Rio Grande do Sul.
E o que e  Palmares? E como surgiu?
Palmares foi à primeira experiência socialista no Brasil. Era gerido por conselhos populares onde todas as decisões  eram tomadas  democraticamente.
 
Em 1602, 40 escravos fugidos de um engenho  formaram o primeiro acampamento do Quilombo dos Palmares, na serra da Barriga, hoje Alagoas, na época capitania de Pernambuco  . No auge, o Quilombo dos Palmares chegou a ser formados por 12  aldeias, com população estimada em até 40 mil habitantes e abrangendo uma área  de 200 quilômetros quadrados  , entre alagoas e Pernambuco. Negros, índios e até brancos moraram no Quilombo, fugindo da escravidão  e da violência dos europeus. 40 a 50% dos negros embarcados na África morriam na viagem e aqui a vida não se prolongava por mais de sete anos. Calcula-se que morreram três milhões de negros no Brasil durante o período da escravidão.
 
Como consequência deste fato que vivenciamos ainda se revela em nosso país  uma grande exclusão social da população negra no Brasil. Os negros sofrem desigualdade no mercado de trabalho, tem pouco acesso à justiça, negação do emprego, de habitação e educação. Segundo  a Diretora-Geral da UNESCO “o racismo envenena as sociedades diversas e multiculturais em que vivemos”. A discriminação racial, que seja latente ou abertamente exibida, pode assumir  formas de agressão física; ela  próspera sobre uma lógica de classificação  e divisão do gênero humano que  aponta como indesejáveis o estranho, a minoria, o imigrante e finalmente, a própria humanidade.
 
Segundo a última pesquisa divulgada em 2014, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um trabalhador negro no Brasil ganha em media, pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos trabalhadores(as) de cor branca. Em termos numéricos, estamos falando  de uma media salarial de R$ 1.374, para os trabalhadores(as) negros(as), enquanto a média dos trabalhadores(as) brancos é de R$  2.396,74.
 Ainda que essa desigualdade tenha diminuído nos últimos dez anos ela  continua bastante alta. Dados retrospectivos do IBGE demostram que, desde 2003, os salários pagos aos trabalhadores(as) de cor negra ou parda aumentaram em media 51,4% contra 27,8% dos brancos. Por esse movimento , a diferença em os rendimentos  de  branco,  e negros diminui três pontos percentuais saindo de 48,4% em 2003 para os atuais 51,4%.essa mesma pesquisa revela que os negros  estão concentrados em ocupações que geram mais desgaste físico , como repositores de mercadorias , frentistas , vendedores de lojas , pedreiros, pintores, catadores de lixo , serventes de limpeza e empregados (as) domesticas.
 
Segundo um estudo da UNF-Universidade Estadual do Norte Fluminense, existem três tipos básicos de discriminação aos trabalhadores negros no ambiente de trabalho: Dificuldade para obter vagas para as funções melhor renumeradas e valorizadas, caracterizada como discriminação ocupacional; diferença salarial exercida as mesmas funções e discriminação pela imagem, quando ocorre fobia pela presença do negro no ambiente de trabalho. Devido à falta de informação, o preconceito e a discriminação existente no país, a população negra também encontra dificuldades para acessar seus direitos na justiça. Relatório divulgado pelas Nações  Unidas do Brasil(UNUBR0 ) mostra que os réus negros tendem a ser mais perseguidos  pela vigilância policial , encontra maiores obstáculos no acesso a justiça criminal e maiores dificuldades de fazer uso do direito de ampla defesa  assegurado pelas normas constitucional vigentes “ apesar de todos os avanços , as dificuldades de acesso ao sistema  de justiça desencorajam os cidadãos lesados em seus direitos a procura-los. As razões vão desde a  descrença nas leis e nas instituições judiciais  até a banalização da violência.
O Brasil possui uma das maiores população negra  do mundo – cerca de 45% dos habitantes são negros ou afro descendentes , segundo dados do IBGE ainda assim , apenas 1% deles frequentam o ensino superior.  
 
Diante destes fatos, os movimentos negros, CUT e sindicatos, se manifestam em favor da negritude. Não podemos aceitar que em pleno Século XXI   a sociedade tenha atitudes racistas, tenha ações do século passado, não podemos aceitar calados, que essas atitudes permaneçam em nossos dias, como algo comum e imperceptível. Precisamos combater todas as ações preconceituosas que de alguma forma, perpetuam o racismo em nossas relações de vida  e no mundo  do trabalho, assim, como os anúncios  de emprego que pedem  foto ou exigem pessoas de cor branca, a renumeração menor para negros  e negras a dificuldade em ascender profissionalmente devido à cor da pele. E preciso  mudar esse cenário de desigualdade entre negros e brancos. São necessários mais investimentos  em programas  de políticas públicas  e ações afirmativas, para o acesso  do negro na educação, ao mercado de trabalho e direito a saúde publica de qualidade. O sindicato dos Comerciários de Fortaleza reafirma  a campanha da CUT e da Contracs - BASTA DE RACISMO! POR IGUALDADE RACIAL NO TRABALHO E NA VIDA.
Conforme NELSON MANDELA disse em sua posse como primeiro presidente  eleito na África do Sul  que: “devemos construir uma sociedade na qual  todos, negros e brancos, poderão andar de cabeça  erguida, certos de seu inalienável direito à dignidade humana”.
 
Fontes de pesquisa: IBGE  - CUT      . 
 
 
Fonte: Francisca Eugênia
Última atualização: 20/11/2015 às 13:34:25
 
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