Neste mês de março, não falamos apenas de reconhecimento. Falamos de transformação.

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Quando pensamos em ciência, ainda são poucos os nomes de mulheres que nos vêm à mente. Mas foram e são elas que constroem respostas para crises, desenvolvem pesquisas que salvam vidas e ampliam horizontes para toda a sociedade.

Durante a pandemia, Jaqueline Goes de Jesus coordenou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2 no Brasil. Seu trabalho foi decisivo para compreender a circulação do vírus no país e orientar estratégias de enfrentamento. Ciência feita por uma mulher negra brasileira, com impacto direto na vida de milhões de pessoas.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tatiana Sampaio lidera pesquisas promissoras com polilaminina, apontando caminhos para novos tratamentos e avanços na área da saúde. Mulheres na linha de frente da produção científica, abrindo portas e criando possibilidades.

Décadas antes, Nise da Silveira já enfrentava um ambiente dominado por homens e revolucionava o tratamento em saúde mental no Brasil. Ao substituir práticas violentas por arte, escuta e afeto, mostrou que a ciência também pode ser humana, sensível e transformadora. Sua coragem rompeu paradigmas e deixou um legado que atravessa gerações.

Valorizar essas trajetórias é reconhecer que o acesso à educação muda destinos. Mas também é admitir que essa oportunidade ainda não chega para todas. Muitas mulheres trabalhadoras interrompem seus estudos por falta de tempo, renda, políticas de apoio e incentivo à qualificação profissional.

Falar de mulheres na ciência é falar de oportunidade. É falar de investimento em educação pública, em permanência estudantil, em condições dignas de trabalho que permitam estudar e crescer. É compreender que defender direitos trabalhistas também é defender o direito de aprender, pesquisar e inovar.

A presença das mulheres na ciência não é exceção. É potência. E quando garantimos acesso à educação e valorização profissional para mulheres trabalhadoras, ampliamos não apenas sonhos individuais, mas o desenvolvimento de toda a sociedade.
Conhecimento também é direito. E garantir que mulheres estudem, pesquisem e liderem é um compromisso coletivo com igualdade, justiça e futuro.

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