100 mil “margaridas” em marcha

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Pela reconstrução do Brasil e pelo bem viver, a 7ª Marcha das Margaridas lotou Brasília

Mais de 100 mil mulheres, incluindo representantes de 33 países, se reuniram em Brasília nos dias 15 e 16 para a 7ª Marcha das Margaridas. Coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), o evento ocorre a cada quatro anos e já é reconhecido como a maior ação política de mulheres da América Latina.

A edição de 2023 tem como lema “Pela Reconstrução do Brasil e pelo Bem Viver” e é considerada pela Contag a maior ação política de mulheres na América Latina. “É um evento grandioso e estamos repletas de confiança na revitalização dos programas, políticas e conquistas que, através de inúmeras lutas, nós, as Margaridas, conseguimos alcançar”, declara Anatália Sales, secretária de juventude do Sindicato dos Comerciários que está participando da Marcha.

A secretária das mulheres do sindicato, Helenice Pereira, relata sobre a importância de lembrarmos da luta de Margarida Alves: “É uma homenagem à batalha de Margarida Alves, que defendia a igualdade, melhores condições de vida e salários, e neste ano marca o 40º aniversário de seu falecimento. Nós, do Sindicato dos Comerciários, prestamos homenagem a essa companheira de luta e, portanto, participamos da Marcha, pois acreditamos na causa das mulheres”. Segundo a dirigente, a Marcha é uma das maiores mobilizações políticas da América Latina em prol dos direitos das mulheres, simbolizando a luta pela emancipação, direitos e dignidade feminina.

A Marcha das Margaridas acontece sempre no mês de agosto, simbolizando o mês do assassinato de Margarida Alves. Nesse evento, milhares de trabalhadoras rurais, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, sem-terra, extrativistas, da comunidade LGBTQIA+ e de áreas urbanas, provenientes de diversas regiões do Brasil, marcham pelas avenidas de Brasília lutando por direitos.

As principais demandas reivindicadas este ano pelas “margaridas” estão divididas em 13 eixos políticos:
• Democracia participativa e soberania popular;
• Poder e participação política das mulheres;
• Vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo;
• Autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade;
• Proteção da natureza com justiça ambiental e climática;
• Autodeterminação dos povos, com soberania alimentar, hídrica e energética;
• Democratização do acesso à terra e garantia dos direitos territoriais e dos maretórios;
• Direito de acesso e uso da biodiversidade, defesa dos bens comuns;
• Vida saudável com agroecologia e segurança alimentar e nutricional;
• Autonomia econômica, inclusão produtiva, trabalho e renda;
• Saúde, Previdência e Assistência Social pública, universal e solidária;
• Educação Pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo;
• Universalização do acesso à internet e inclusão digital

O objetivo da Marcha é construir uma sociedade no Brasil sem violência, baseada em democracia, igualdade e respeito à soberania popular. Buscamos relações justas e iguais, guiadas por valores como ética, solidariedade, reciprocidade, justiça e respeito pela natureza. A marcha é uma ação estratégica das mulheres rurais, organizada pela Contag, federações e sindicatos, integrando o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR), além de movimentos feministas, organizações de mulheres trabalhadoras, centrais sindicais e grupos internacionais que unem mulheres em diversas questões relevantes.

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